Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sem espelhos


A genuinidade pairou sobre os povoados opacos
Onde as criaturas se entrelaçam
Perpetuando as amarras dos dinossauros extintos
Cavalgaduras se ameaçam na luta pelo nutrimento
Esfomeadas de eternidade e alimento

Escondem para lá dos labirintos das células
A perpetuidade do semelhante
Como se a cópia fosse obra de um criador
Que repete a escultura utilizando o mesmo molde
Só a monstruosidade agitada
Repugna os cânones da simetria embelezada

Os répteis acasalam sem espelhos com a terra bravia
Sem observadores do alto sem vigilantes presentes
Apenas o salto para dentro de um ovo
Que pela escrita cósmica se faz novo
Sem eu nem outro nem tu nem eles
Apenas um coar de substância
Deixando no fundo das redes filtradoras
Grãos de areia simulados de sementes
Prontas a desabrochar em terreno fértil
Vasculhando água numa vontade movediça
Em matar a sede
Açambarcando as profundezas
Com raízes deambulantes e cegas

A imortalidade exige malabarismos em corda suspensa
Sobre uma página em branco
O código é manhoso altera-se impreciso
Brinca com a inteligência da curiosidade existencial
Contrai-se dilata-se esconde-se
E mostra-se num fulcral processo
Sem princípio nem fim
Confundindo-se o desfecho com o começo!

Libertar-me



O penar que me consome alimenta-se
Das profundezas do querer e não poder
Então reproduzo um palco de diversão
Onde sou palhaço contrariando a penúria
Que a consciência perceciona
Porque a sobrevivência também tem subterfúgios
Mundos de refúgios!

De rosto pintado fica a carantonha erguida num estrado
E aí se mantém de sorriso impreciso
Assumindo a personagem da alienação
De quem nada tem de seu exceto
A poesia em forma de oração

O existente sensível deixa-se impregnar
Pelas impurezas de outras máscaras
Outras batalhas outras raivas e insanidades
Sofre calada!
De respiração moldada pelo limite borbulhante
De cada célula vibrante
Onde a visão sendo múltipla permanece achatada
Num limite de incompreensão
Onde gritam os cromossomas as hormonas
E o belo metamorfoseia-se em besta
A tragédia substitui a festa
E a palavra gelada é atirada como lança
Contra o coração imaculado
Do espírito de uma criança


Supremacia da insanidade





Desintegra-se o mundo humano
Em estilhaços cortantes de apartamento
Mentes castradas apontam destruidoras rajadas
Inventam deuses e demónios
Que se disputam em campos opostos de idolatria
Confunde-se o poderoso o pomposo com sabedoria
Esganam-se as feras em defesa da propriedade
Aclamam a guerrilha alimentada no separatismo
Ignoram que é possível a diferença
Quando conduzida na bem- querença

Só na lógica de um demente
É admissível a exploração
Só no pensamento de um louco das trevas
É permitida a escravização

Quando tomamos consciência
Que nós e os outros somos o mesmo
É que o fogo do saber genuíno se manterá aceso
Pois não há distância nem longínquo sim harmonia
Não há extremo nem fronteira
Somos unicamente cordas compondo a cósmica melodia

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Vigilantes






Sorriso que rompe o anel de fogo do medo
Olhar preciso de quem vela o respirar sem interferência
E entre o contemplado e o contemplador nasce a ligação
E assim os vigilantes perpetuam-se em subtil irreverência

Dançam luzes tangíveis em partículas incendiárias
Desfaz-se o caos e borda-se a simetria
Oscilações rodopiantes tentaculares fazem surgir
Do infindo abismo obscuro a alegria

Acolhem as criaturas do submundo
As entidades que procuram habitação
São dadas as mãos entre personagens frias
Entre risos e choros de comédia vai-se a mágoa
E festeja-se com mesa posta de iguarias

Duendes da floresta se manifestam
Fadas dos lagos se abraçam protetoras de afagos
E faíscas encenadas em grinaldas
Esvoaçam aliviadas em busca de outras paragens
Germinando no centro estelar  das doces risadas

domingo, 7 de dezembro de 2014

Não estou



Ausentei-me em pedaços dispersos
Para subterfúgios onde já não chega a voz humana
Porque essa vibração sonora fere-me as entranhas
E as vísceras decompõem-se
Não suportando a neura fantasmagórica
Da viscosidade fermentada
Agonizada pelo gemido da loucura
Putrefacta da posse

Eu tenho eu quero eu mando
Eu magoo eu destruo eu mato
Eu manipulo engano
Ganho venço sou herói promíscuo
Deste enredo de escarro de podridão
E gozo com isso

Ausentei-me destas criaturas do submundo
Já não estou aqui
Os átomos do meu corpo pulverizaram-se
Para a profundeza cósmica
Foram engolidos pela boca acesa
De um vulcão e entranharam-se na obscuridade
Pura energia da Terra mãe

Entrego-me porque nada é meu
Pois na verdade ninguém tem nada de seu
Não importa se é senhor ou plebeu

Já não permaneço
Desintegro-me em faíscas de impermanência
E em gratidão em forma de oração
Já não sinto ardor nem peso sobre os ombros
Nem membros adormecidos nem dor
Em reconhecimento dilui-me nos elementos
Já não sou!
Para outro universo me vou! 

Inerte



O cérebro comprime-se perante o subterfúgio desencantado
A patologia emerge da profundidade dos abismos
Incontidos no desespero do vómito incontrolado

O rosto se desenha a si mesmo qual fronha
Remendada de fissuras aguentando o paradoxo
Da trituração da mente pela lâmina de aço esfaqueada
Espremida asfixiada bloqueada
E o corpo inerte permanece escravo do dia cinzento
Enquanto a voz da liberdade deixa de ser reconhecida
Se pressente encarcerada

Ausento-me à velocidade da luz para outras dimensões
Gritam por mim algures na profundidade do cosmos
Já não mantenho reminiscência de enredos
Nem de escuridão nem degredos

A consciência escondeu-se na frieza da rocha
Manietada pelo júbilo falso da alvorada
Reconheço finalmente este sentir
Este olhar de prostração fixado no nada
Sem querer sem vontade desalentada

Outras lutas abruptas
As mesmas desilusões tamanhas
Sugadores de energia invadindo as entranhas
Será tempo de partir de novo
Para o refúgio do silêncio bem longe nas montanhas


Arquitetura do Ser



Remendos alinhavados distendem-se em armação
Batidas ritmadas florescem num espaço rasgado
Ergue-se do invisível o esqueleto dançante
E entre veias ao rubro se faz o parto

Surge das profundezas do inteligível
Um projeto seleto da arquitetura do ser
O semelhante se multiplica
Faiscante impermanente centelha de luz
Como uma folha que em pedaços se depenica


Ritmado psicadélico entre o acender e o apagar
É então que por pura diversão e capricho
Nasce imperativo da negridão
Uma aura rodopiante
Uma espiral imponente em forma de clarão
Do que se mantinha comprimido
Em pressão incontida expele
A substância em expansão
Agarrada à teia da vida
Rendilhados de sons vibram no recinto do dilatar
E vem o caos a incongruência a demência
Subsistindo em trágica anedota
A inevitável existência

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Deformação





Cada cromossoma me anuncia a degradação
Igual ao sopro que percorre um túnel de vento
Em rodopio constante ansiando alcançar
O outro extremo de uma meta imaginária
Falsificada de enfeites insuflando egos
Desesperados extravasados no processo
Da destruição de partículas de rótulos cegos

Deteto neste baile de irrequietude
Uma centelha esvoaçante
Indignada com a festança da parada
Como se explodisse
Pois não encontra pousada

O pé calejado de modas e correrias
O braço magoado de pesados abraços e mialgias
A humidade que se entranha nos ossos
E corrói a partir de dentro
E o coração pesado que deixou de ser crente

As pernas que se ressentem
Do choque abrupto das passadas
Um incómodo agudo no centro
Comprimido pelo grave desequilíbrio
Os olhos que não têm capacidade de focar
Mesmo perto para cá do mar

Que importância tem?
Tudo vai!
Desaparece renasce e de novo vem!
Nada tem importância!
A respiração do momento
Em que a vibração se afasta
Da ligação ao tormento

Bendito descanso onde já não existe mais nada
Onde não é imperioso que a opinião
Seja certa ou errada
Só o beijo da melodia que me é mais chegada
Me acalenta a dor do final do dia
E de esperança no começo da madrugada.






Acidez



A acidez fissurou as entranhas das criaturas
Fragmentando-as em pedaços sem morada
Corroeu as pontes que desabaram em rios parados
Por entre golfinhos saltitantes
Anunciando a mudança a descrença
A inundação gélida imensa

A acidez desfez as serranias
Incendiou as árvores
Sorveu a vida dos répteis
Que se esconderam cada vez mais fundo
Nas cavernas da escuridão no abismo dos mares
Procura os ovos da dimensão temporal
Que eclodem em ninhos demolidores de lagares

A acidez decompõe pragmática
Os ossos dos mamíferos
Que fogem tresloucados
Da intempérie corrosiva

A acidez deforma as bocas e os olhos dos magnatas
Dissolve-lhes as notas os mealheiros
Os lixos os excrementos próprios e alheios

A acidez não tem preferência
Esburaca a pedra
Faz divertida um rendilhado nas montanhas
Deixa a descoberto as vísceras dos humildes

A acidez percorre inominada
Todos os caminhos mesmo parada
É traiçoeira oportunista
Tem para destruição uma secreta lista

A acidez é solitária e manhosa
Morde a presa na calada
E deixa-me a mim criatura sem rumo
Aflita desfeita desorientada

A morte e a vida




A morte perguntou à vida
Se pulava de alegria
Mas a vida respondeu                                           
Que o entusiasmo morreu
E que andava aborrecida

A morte perguntou à vida
Se a luz a perturbava
Se a criação não tolerava
Por que céus desaparecera
Por onde de facto andava

A morte perguntou à vida
Se a preguiça a manipulava
Se a raça humana se desgarrava
Se aos parasitas se igualava

A morte perguntou à vida
Se estava cansada do sol
Se a sua energia se esgotou
Em corpo cansado e  mole

A morte perguntou à vida
Se a sua inspiração morreu
Se ficou inerte muda e parada
No feito que lhe antecedeu
Retrógrada prisioneira das sombras
Ombros caídos membros desfalecidos
Espalhada na longa estrada esfalfada

A vida soltou uma gargalhada
Provável estaria pedrada
Impregnada de cinismo
Perguntou à morte então
O que queres de mim vilão?
Julgas que não sei
Que és o meu espelho o meu rei
És a cabeça da minha cauda
És o abraço da minha mágoa
És as costas do meu corpo
E eu sem ti não sou nada!

Prece



Mãos unidas pedindo socorro
Em mar obscuro onde os risos das criaturas
Se esqueceram há muito de silenciar em prece
Olhos que se cerram captando no escuro
A energia que parece fugidia
Mas que o espírito enaltece 

Respiração cansada de lutas
De jornadas em que sem roupas
Sem abrigo o humano arrefece
Torna-se saltitão incoerente
Protão indecente que não se dá conta
Que o eterno é semelhante ao que acontece

O impermanente anseia libidinosamente
Pelo que permanece
E é na promiscuidade
Que lava desordenada do vulcão
Rejubila em incandescência
Chega ao oceano serpenteando
Deixando seiva de vida em cada lugar
E é então que o verde floresce
Quando o fogo desfalece
Onde na aparência nada é o que parece
Pois o que morre revive
E o que vive falece sobre o chão
E de novo advém consciência
Em forma de oração

Vontade subtil


É tanta a vontade de me embrenhar no silêncio
Que o discurso sai a custo desprovido de sentido
Do concreto do metalizado sem enredo

Anseio então por uma vela acesa qual nutrimento
E a calmaria que se instala no coração
Incenso carinhoso sobre a mesa
De quem percorre um pântano salpicado
De criaturas sem consciência 

É tamanha a vontade de silêncio
Pois é nele que me estendo me distendo respiro
Que me expando enclausuro me comprimo
Apenas o som subtil em danças aromáticas
Tateando os dedos em vibrações de extasiar
Sobre as  teclas de um piano adivinhando a mão
Onde o dia e a noite se fundem num brinde ao celebrar

domingo, 9 de novembro de 2014

Sobrevivo


Quando a serpente vem enrolar-se a meu lado
Como se fosse a anunciação da vida e não do pecado
Mesmo quando me acorrentam as mãos e os pés
Me trancam entre paredes sem ver
Me impedem do mundo percorrer
Sobrevivo!

Quando em queda descontrolada
Conto todos os degraus da dura escada
Permaneço inerte amassada
Mas a respiração mantem-se
Como se por teimosia ou por obra divina
Preferisse o devir em lugar do nada
Sobrevivo!

Quando dou desamparada
O salto da janela de altura inesperada
Escapando à loucura de alheia jornada
Sobrevivo!

Quando a bofetada de estrelas é arremessada
Transformando o conto de fadas de um príncipe encantado
Em bruxo mau de silhueta deslavada
Quando a justiça lenta e caquética
Coloca o transgressor num pedestal
E pede à vítima que somente se afaste do mal
Sobrevivo!

Quando o projeto de vida se desfaz
Quando a estratégia de improviso
Construída na minha memória
Falha mesmo em esforço o alcançar do sonho
Constrói-se um plano para escapar
À criatura de cérebro decadente insano e medonho

Sobrevivo!
Vivo!
E neste mar alternando
Entre o doce e o amargo
Me realizo!


Força pujante





De nada serve esbracejar na corrente abrupta
E endiabrada de uma enxurrada destruindo o abrigo
Sentimos-lhe o poder a frieza a inconsciência
Homicida perante a sensação de impotência e perigo

Estamos cá porque a energia sagrada
Assim o delineou como únicos especiais eternos
Na vibração intemporal da corda celestial
E o sangue como lava nutritiva acontece
E o sangue embrutece se desvanece e o nada
É sepulcro purificado de uma existência lavada

Instintivamente queremos fugir
Para lugar incerto onde possamos serenidade desfrutar
Invade-nos uma vontade de afastamento
Porque a falta de controlo arrasa-nos
Pois somos criaturas codificadas em domínio
Procurando ansiosamente qualquer tipo de aquartelamento 

sábado, 1 de novembro de 2014

Náusea



Agoniam-me as palpitações abruptas nas veias
Que me percorrem  debilitada num turbilhão
Pois a vertigem inquieta que se cola a mim
É camaleónica e acelera para o desfalecer descuidada
Sinto o corpo cair espalhando-se pelo chão
Enquanto me enclausuro entre interstícios na calada

Em trepidações que me sacodem o cérebro
Entro no mundo neural do esquecimento
E é então que pressinto os meus pés em mudança
Tentando conviver com a desestabilização
Os membros acorrentados tateando a segurança

Dissolvo-me no pântano em fumarolas de alienação
Onde  abusa corrompe manipula o ditador invasivo
Entre o diluente acutilante  do tempo acanhado
Ocupo o espaço de uma partícula fétida
Troco carícias de fricção com o desinfetante galante
Entre os socalcos profundos do caos degradado

Confundo-me com o exterminador negro
Que salteia a sopa sedutora envenenada
Arrasa a ânsia de vida colorida
 E se afirma vaidoso pela miscigenação debandada

Que raio fazemos nós nesta estopada escrava e calada?
Quero afastar-me deste enjoo
Em que as entranhas parecem saltar da boca desbocada
E o coração sopra batendo na porta fechada
Quero partir em direção à libertação do ser
E aniquilar-me na pretensão do nada!

Exaustão



Não sei porque continuo robótica e em jeito de marioneta
Passo adiante qual engenho em teimosia de coragem
Esbofeteando a inanição proibindo-me de tombar neste barco
Que balança desnorteado sobre onda revoltada
E me provoca a palidez dos que se ausentaram
De um corpo cápsula que já não serve para nada

Este absurdo sem rumo com que me cubro
Tem a cor do calabouço da luta do tormento
Esta luz peçonhenta queima-me a pele ressequida
Por oxidações incongruentes num acontecer sem medida
De quem só subsiste anulando-se em tonturas
Que me cerram os olhos e turvam o olhar cansado
Pelo esgotamento e fraqueza
De um coração que abraça alheias loucuras

Engulo a saliva em desmaio abrupto e cuspo agonia
Mascarada de dúbia fantasia
Onde palhaços esvoaçam pintados de sorrisos
Em mímicas provocações de alegria



domingo, 19 de outubro de 2014

Vómito



Este vómito veste-se de andrajos em sofrimento
Camuflado de sorrisos sonoros forçados
Porque cada gesto é de agonia desatenção
Sensação de nudez desconcentração

É um saltitar constante entre a vigília e o sono
Orgia emaranhada nesta ratoeira de sonho
Bizarro dissimulado em alojo medonho

O riscar de fósforo que se acende e apaga
As baratas as formigas como uma praga
Esta tonta vertigem  que me consome constante
Num impasse sem poder dar um passo adiante

Revolta entranhada no meu ser
Borbulhas de tensão em suor de inanição
Sem tempo para semear
Sem espaço para viver
Sem ar para respirar
Sem cama para deitar
Sem presentes para distribuir
Sem abraços para dar
Sem alimentos para comer
Sem nada por que lutar
Mas nesta incongruência de existência
Cerro os punhos e grito ao céu
Antes lutar que morrer!

domingo, 5 de outubro de 2014

Triângulo da simultaneidade (A fera, o ninho e o grito)



Entrelaçam-se os sons os gritos em bordados de linguagem
Mensagens aladas direcionam os cânticos da comunicação
Baralham-se infiltrando-se num desacato no ato
Expele-se a poeira cintilante na incontinência do vulcão

E o ovo espera o quebrar da casca do ser em potência
Os mundos proliferam ansiosos de concretização
O nada esfuma-se e o fumo se faz consciência
A morte plana sobre a vida em pura presença

E a dança acontece em rituais de criatividade
Emprestando ritmo movimento celebração e voz
Expandem-se as células em rios de vida
Há um grito de euforia em gestos de melodia
E a fera combativa carece de bem nutrida

Salta fere rasga em vigília de pulsar
Renasce em ciclos de vontade dentro de incubadora
Reproduz eternizando-se em espasmos de sobrevivência
Ergue-se mágica transformando o bramido em música
Transpõe o cesto do descanso e liberta-se do ninho
Os gemidos de dor envolvem-se num canto
Larga a carapaça rastejante e esvoaça para fora do refúgio
E cobre-se a si mesmo criatura divina com seu manto