Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

segunda-feira, 31 de março de 2014

Afecto temporal



Vieste amor qual cavaleiro das trevas vestido de candura
Chuva cálida de afeição inevitável
Carinho dançante entre mãos de ternura
Olhar que se inunda de meiguice
Teu corpo macio feito de poros de doçura
Bailado de afectos em gestos delicados
Entrega de confiança em fogo de brandura


Este apego que nasce de sintonias de devoção
Pertence indubitavelmente a um plano superior
Um traçado pré-definido feito da vontade superno
Um desejo feito ideia maior
Mãos que acariciam empenhadas
Determinação talhada em pedra de querença
Braços que abraçam um desígnio escrito nas estrelas douradas

Mas se o dia de tempestade vier e o desígnio se inverter
Procurarei abrigo numa gruta mãe em meditação
Se o sol for arrasador e a determinação talhada se esfumar em pó
Refugiar-me-ei na sombra de uma árvore em oração
Se os teus olhos teimarem em derramar angustias que nos sufocam
Deixá-los-ei verter até bater ritmado de alívio o teu coração!


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