Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 29 de março de 2014

Para lá das sombras





Ah amor!
Olha-me nos olhos e mergulha neles
Como se fossem o teu derradeiro refúgio
Depois de árduas batalhas sem tempo para respirares
Possas olhar no espelho da vida e sem culpa te amares

Ah amor!
Quando a dúvida te assolar o coração desgastado
Vem deitar-te a meu lado
Porque amar assim não pode ser pecado
E no teu peito repousarei a minha mão
Deslizarei pelo teu corpo num meigo afago

E farei com que esqueças as contrariedades
Deste existir dúbio em que penetramos
E em que incansavelmente nos testamos
Como se defendêssemos o nosso ninho
Em perfeita união neste mundo peregrino

Erguer-nos-emos para lá das sombras
Que de quando em vez nos ameaçam
Que nos corrompem a alma
E que se permitirmos nos desgraçam
Mas assim mesmo não perderemos o rumo
Pois os fantasmas que esperam na noite
Diluem-se finalmente no ar sereno em fumo!
E saímos ilesos
Mesmo neste respirar ainda impuro



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