Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 29 de março de 2014

Repulsão



Somos atraídos naturalmente para os semelhantes a nós
Como se fossem o nosso espelho e uma só voz
Esquecemos que os dissemelhantes
Também têm algo de comum pois é ilusão
Pensarmos que estamos irremediavelmente sós

A violência dos outros assusta-nos
Porque também interiormente sabemos
Que esta energia negativa está impregnada
Em cada um subtilmente ativa mas desirmanada
Podendo explodir em momentos incontidos de cólera
Sem que nenhum tenha a vitória

A repulsa que sentimos pelos defeitos dos outros
É a mesma que sentimos pelos mesmos defeitos
No interior da nossa alma sofrida
Transformar a raiva em aceitação
É como ir mais fundo na alma humana e sua compreensão
É enfim deixar que o sofrimento alheio
Se transforme no nosso sem juízos
Apenas uma leve brisa em libertação




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