Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

segunda-feira, 31 de março de 2014

Torrentes desarvoradas



Rios se formam onde outrora
Criaturas corriam em vivências que se diluíam
Nos gestos autómatos de quem é programado
Para um labirinto de ilusões
Distinções devaneios e podridões

Torrentes descontroladas descem montanhas
Arrastando seres sonhos
Corpos e monstros medonhos
E nesta torrente tudo se perpassa
Tudo se abraça num transe breve instante
Gota de eternidade palavras sem sentido
Sem significado sem luz sem idade

Gigantes rochedos se abrem em frestas
Fissuras que se movem obedecendo à necessidade
À luta de titãs e então num relâmpago incerto
Os altos cumes desabam
A superioridade é devorada pela transição
E as imponências reverências acabam

E nesta transmutação dá-se o retorno
Ao despertar num amanhecer que deixa marcas
De brancura neste chão que ainda piso
Enquanto um trovão imenso e aterrador
Percorre o espaço feito deste enlaçar
Que ainda me prende
Nesta subtileza bordada de estranheza
Onde a pequenez em lascívia se mistura
Em tentáculos de exuberância com a grandeza

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