Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 29 de março de 2014

Vento



Vibram os fios e os desafios
Na irrequietude revoltada do vento
Vibra a minha alma em dimensões de plenitude
Sem raiva sem frio desprovida de sensível intento

Uma energia compassiva corre-me nas veias
Abraço o mar a montanha onde busco alento
Observo as criaturas os ruídos que me abanam
Nesta existência abismal num mundo desatento


Flutuo para lá do sol numa terra sem tempo
Por aqui passo amo e choro
Como se tudo fosse um sonho num ser sonolento

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