Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 20 de abril de 2014

Este e Oeste





















Dá-me a oportunidade de ter consciência
Deste sol amigo que nasce em cada dia
Esperança no tempo que indica o riso
Pois sem as montanhas iluminadas enlouqueço
Sem as praias quentes e os pés descalços na areia
Não faz sentido o meu próprio nascimento
Por isso esta gratidão com que te pressinto força divina
Transforma-se no meu alimento a cada hora a cada momento

O acontecer vertiginoso sobre o abismo da metamorfose
É incompreensível para as criaturas
Que apenas contemplam os seus pés
Entre o nascer e o pôr-do-sol solta-se um grito
Que antecede a contemplação a entrada no vibrar espiritual
Porque o escuro pode fazer amor com o luar
E outros cambiantes surgem cintilantes na suave escuridão
Fecho os olhos e os murmúrios dos elementos
Inundam-me a mente em reflexão 

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