Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 1 de abril de 2014

Escravidão humana



Pela poesia me liberto das garras
Das algemas dos nós cegos das amarras
Afugento para longe gestos rotineiros de imbecilidade
Os gritos lamuriosos dos vampiros sem dignidade

Os homens são estacas estáticas
São números são energúmenos
Tornam-se objetos de servidão quais instrumentos
Vegetam amassam-se nas bancadas
Desperdícios subtis vícios excrementos

Ilusória condição errática condução
Num vórtice em indomável turbilhão
Agitação falsidade maquinaria
Trepidação vómito sonoro correria
Medo degredo marchando em letargia

Mortos vivos indecisos insanidade
Sem autonomia sem alegria incapazes de reflexão
Deambulam sôfregos pelas cidades
Sem destino sem dignidade
Sem altruísmo afastados da meditação
Porque se esqueceram da origem
Ignoram a passagem até ao lar primordial
E na ignorância não faz sentido a oração

O meu ser expande-se entre brisas mornas
Saltita nas fontes nos ribeiros descobre cartografias
Pisa o asfalto inundado de marés vivas emoções
Encontra um anjo disfarçado de angústias
Em laivos resplendorosos de revelações

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