Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Euforias e hábitos



Não me convences memória traiçoeira
Queres-me pregada na cruz sem luz
Mas liberto-me das tuas correntes
Não te vejo não te ouço és vazia gramática
E o meu corpo não percorre
O asfalto em programação automática

Há um desprendimento que me envolve os atos
Me encaminha determinada os passos
Longe de embaraços em meneios ágeis
E não me faz depender das circunstâncias mutáveis

O aprender das bolorentas bibliotecas
Os costumes medíocres que enforcam
E guilhotinam a criatividade
A máscara distorcida das religiões
Provocam em mim a resolução incontida
De ultrapassar os ambientes tóxicos exteriores
Aliviando as amarras suavizando o meu interior
Escapulindo-me do passado que já não guardo
E a gargalhada sarcástica que me fere os tímpanos
Passa para o mundo do mutismo
Como se me fosse indiferente qualquer sismo
Instalando-se um sorriso perene um sentir pleno
E o acontecer lá fora não interfere no âmago
Do meu ser num êxtase ameno

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