Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 20 de abril de 2014

Identidade



Que logro envolver-nos na crença
Que o que somos depende do julgamento
Que fazem de nós em desavença

Não sou o lugar onde vivo
A cidade onde caminho
Os defeitos que me apontam
Sou consciência transparente
Que aprende com as experiências
Sem atritos nem errâncias

Não sou as qualidades que me enfeitam
Não sou a dolência que me invade
Sem descaradamente pedir
Licença para entrar em mim
Por isso afasta-te tristeza
Que me consomes os passos
Não fazes parte do que sou
A minha consciência maior
Contigo não alinhou
Porque me amarras à cave profunda
Ao abismo mais medonho
Como se fosse um pesadelo
Um arrepiante mau sonho
E a alegria de viver definhou

Mas descubro com as tentativas
Não dependo dos estímulos de fora
Nada pode interferir na luz que sou
Porque a alma é premiada
Com a sabedoria em clamor
Constrói o estado de felicidade
Porque em vibração de gratidão
Ela brota do nosso verdadeiro interior


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