Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 20 de abril de 2014

Norte e Sul



Perder o norte onde em pureza descansa a neve
É anular a sabedoria primordial a confiança
Que se deve ter no processo caminhando de coração leve
Perder o respeito pelos que foram premiados com cabelos brancos
É ter perdido a bússola que nos orienta
Só ver em egoísmo as nossas necessidades
E espezinhar quem fica inadvertidamente nos flancos

Perder o norte é ter esquecido a ligação ao todo
É confundir a ganância pútrida com a essência da sabedoria
É alienar o pleno o único o que nos liga a todos no plano mental
A força cósmica que nos conduz em harmonia

Perder o norte é desistirmos de analisar o invisível
É entrarmos num labirinto sem luz não querendo a vida perceber
É incorporar num fantoche sem alma 
É negarmos a grandeza do espírito recusando-nos a meditar

Os homens perdem-se num lago pútrido de ilusões
Nem o sul já conseguem vislumbrar
Chacinam as criaturas destroem as florestas
Para construírem a ferro e betão catacumbas de podridão
Esqueceram que devem abraçar a natureza com paixão
Os oceanos as montanhas os vulcões
Os maremotos as tempestades as grandiosas monções  

Sem comentários:

Enviar um comentário