Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 20 de abril de 2014

Reconhecer

 
















As correntes que nos prendem
São fruto da nossa mente cansada
Por intempéries de embates
De quedas sucessivas entre destroços
Estas amarras são alinhavadas em escaras
A que o corpo viciado se acomodou
Mas reconhecer o vício é uma vitória
Para dar o passo estender o braço
É crer na pura glória

Porque renasce a cada instante um poder interior
Que se expande das cinzas e dor
E se transforma em melhoria
Ao vencer a masmorra
Se lançar à terra sementes de alegria

É no êxtase da consciência da vida plena
Que surge a libertação
Onde não há conflito ou raiva ou grito
Onde não impera a solidão
Prontos para seguir em frente
Abrir horizontes ilimitados
E deixar de vez o hábito demente

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