Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 17 de maio de 2014

Altar de esperança





Calcorreio curiosa a floresta de pinheiros
Onde ervas daninhas lutam pelo seu lugar
Procuro um sinal de encantamento
Mas a correria louca em tempos de silêncio gera em mim
Um contorcer de mãos expressando descontentamento

Piso a terra húmida entre pássaros negros
Que levantam voo para rumo incerto
Fecho-me em puro descanso no alheamento
Medito rezo reflito e imploro
Enquanto as flores selvagens respiram o poluir inglório

Descendo ao poço das bestas sangrentas
À consciência dos homens peço socorro
Mas pela sobrevivência num inspirar instintivo
Retorno à superfície repleta de luz onde afloro

Rolam lágrimas de pesar por este humano incongruente
Admito a falta a ingratidão das feras
A inutilidade dos parasitas
Porque nada neste mundo é normal

Tudo é diferente diverso e pontual




Sem comentários:

Enviar um comentário