Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Arrastamento



A multidão é anónima não existe
É apenas manifestação de forças de gestação
Mas a linha que separa um empurrão gigantesco
Para a mudança necessária e o puro extermínio
É fraca e pode quebrar-se a qualquer momento

Por isso não me empurrem não me coajam
Não me obriguem nem descaradamente
Nem com golpes de psicologia subtil
Não entrem com artimanhas feitas de ardil 

Não pertenço à multidão
Não vou no arrastamento empedrado
Há uma repulsa que se instala em mim
Pelo desbravar da justiça cega de quem mente e nega
De quem maltrata e é premiado
De quem cria trabalha
E na sua dignidade é injustiçado

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