Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 11 de maio de 2014

Arrasto comigo


Arrasto comigo uma solidão imensa
Que não é dor não é falta
Não é trauma em forma de lembrança
É uma solidão que me fecha numa bola de sabão
Que flutua pelas profundezas
De um universo indiferente e frio
Onde tudo existe e ao mesmo tempo permanece vazio

É uma solidão de plenitude e perdão
Um abraço que é a porta para o ilimitado
Ultrapassando a vibração deste mundo
Onde todo o elemento permanece baralhado
Como fraude triste engano envelope falsificado

Ficamos nós que nos invadimos
Para lá das fronteiras da pele
Furamos o cosmos para lá do espaço e do tempo
E neste entoar em que tem o acontecer de fazer sentido
Criamos em nós um enleio de comunicação
Uma fusão de luz em que já não és tu não sou eu
Somos a entidade cósmica que sustenta os pilares da existência
Criaturas donde o medo se ausentou para outro além
E ao deambularem em busca do bem trocam um fluir de vida

Que milagrosamente a si própria se sustem

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