Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Eterna demanda



A estranheza que sentimos é genuína
Como se o corpo físico a que estamos ligados
Fosse um mecanismo de deslocação primitiva
Sujeita às intempéries e a uma inevitável queda

Mas a partilha da alegria supera
A incongruência com que nos moldamos
A indignidade com que nos relacionamos
E na reflexão sobre o inalcançável
Ritualizamos a celebração da vida
A exaltação da perpetuidade

As armadilhas da mente inquieta
Que a todas as perguntas anseia dar resposta
É o prato nutricional com que por engano nos alimentamos
Mas as questões assim como as conjeturas são infinitas
A intelectualidade com que nos selecionamos imperfeita
Manter a consciência do mistério é saber respirar
Com o sentido de gratidão sem juízos sem respostas
Apenas sentir com o coração


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