Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 27 de maio de 2014

Fragmentos



Somos pedaços de céu
Que se esqueceram nas sombras geladas como breu
Fragmentos dispersos da natureza mãe
Onde energias celestiais controlam o corpo dúbio
Moldado pela cultura onde a tradição é tacanha
A inércia instituída é tamanha
Que comprime a força do cosmos
Contida em cada mente humana
Que nasce aberta para a vida

Somos fragmentos apenas do nosso ser maior
Que amarrámos a um poste em praça pública
Fizeram de nós o que quiseram
Convencendo-nos que o caminho
Era o que nos diziam e almejaram

Falsa orientação!
Esqueceram que o que somos
É a simplicidade  do que nos faz feliz
Mas este modelo de sociedade cria
Autómatos desencantados sem entusiasmo
Onde nada se ergue nada ondula e tudo é raso

Pura astenia! 

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