Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Marasmo



Este marasmo feito exaustão entranha-se na mente
Que se dilata ao ser mas que traz consigo
Um ardor que sobe pela garganta
E transforma em dia cinzento
O que outrora era nuvem branca

É uma experiência de vertigem incontrolável
Como se o corpo procurasse o chão do seu sustento
Desistisse de respirar e teimasse
No absurdo de se manter de pé
Mesmo sem visão sem fé

É amargo este desmaio consciente deste ser desfeito
Esquartejado dividido acabrunhado
Há um grito que espera ser solto
No alto deserto da montanha
Pois que a revolta extravasa
E pressinto que a cada momento pode estilhaçar-se
Num arrepio de pele que transborda

Mas esta sede marca-me o compasso
Do tempo impreciso cínico cruel
Disciplinador e ameaçador
Assisto ao desenrolar da serpente
E a velha ameaça retorna concisa  
Fita-me confiante e no lago da vida imerge
Mas surpresa!
O reptil repugnante não me destrói
Mas deslizando em redor de mim
Num perfeito anel dá-me espaço e protege

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