Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 18 de maio de 2014

Pedrinhas



Saltar os obstáculos é uma luta abrupta
Tantas vezes caímos outras tantas nos levantamos
Que talvez a nossa bússola esteja errada
E o que outrora projetámos para nós
Tenha feito parte de qualquer obra misteriosa
Para sempre oculta inacabada

O poder da luz ultrapassa o respirar pela metade
O poço de escuridão que é a maldade
E esta amaldiçoada falta de vontade
Que nem muda para melhor
O que ao nosso alcance está
Quanto mais pretender alcançar
O que longe de nós permanecerá

O salto depende da energia que temos
Da determinação que incutimos
No empreendimento da vida
Onde a lei é pedalar continuamente
Até que o projeto maior
Deixe de nos dar guarida

Os desejos temporariamente se alcançaram
Mas em mim não ficaram e caminhei rezando
Aceitando outro registo pois no antigo já não insisto
Parei e desviei as pedrinhas do chão que piso
Assimilei outra dimensão outra forma de perspetiva
Uma nova expressão
A toalha que cobre a minha mesa é branca
E os que vierem por bem entrarão na dança do desapego
Da alegria em expansão

Tive um filho escrevi um livro em forma de oração
Falta-me plantar uma árvore que seja forte
Persista nas intempéries de inverno

E sobreviva no calor escaldante do Verão e supere a morte

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