Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Peregrinação



Há um aperto no coração que constrange
Que asfixia a mente em choro
Esta tristeza que molda a melodia
Como se as almas unidas se expressassem em coro

Parto em plena noite encadeada pelos faróis desavindos
Misturo-me na fraqueza que mesmo assim
Embrenha-se determinada na bruma
Fujo dos medos alheios e dos meus infindos
Já não vejo o mar embora lhe sinta perto a espuma

Afugento o desconsolo a impotência
Esta consciência do limite que me amarra
Grito bem alto entre lágrimas de revolta
E o meu pé faz pressão no acelerador em rédea solta

Estou de abalada para um reino só meu
Onde os espíritos me abraçam me aconchegam
E me acalmam num mundo que também é céu

Meto-me à estrada deserta de carros
Onde o silêncio acontece em forma de oração
Retorno a mim em calmaria
Embora saiba que sou filha do eterno
Mesmo prisioneira desta material condição


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