Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 18 de maio de 2014

Ritual do sorriso



Porque é que a tempestade medonha
Não pode ser a perfumada brisa
Porque é que uma doença não pode ser
Um grito de alerta e uma lição de vida?

Por que razão havemos de nos alagar no nosso choro
Se podemos combater as lamúrias
Se devemos prevenir-nos contra as incúrias
Se um sorriso mesmo inesperado alivia
Se um riso entrelaçando olhares contagia

Torna-nos mais leves faz voar e atenua as dores
Porque temos de viver num deserto
Porque temos de aceitar o desespero do incerto
Se temos um sorriso por perto
E o desalento se transforma em flores  

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