Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 24 de maio de 2014

Verdade absoluta




Porque tem o homem necessidade de explicar a existência
Procurando avidamente a verdade absoluta
É tempo perdido porque a verdade permanece oculta
Indagar é destino humano no jogo do eterno
Perde-se este vivente em provar coisa nenhuma
Falácias lógicas ergonómicas danças com os deuses
Onde tudo é permitido em velocidade alucinante
Livre arbítrio onde nada é impedimento
À deriva das vontades escritas no vento

Pois nesta luxúria animal não há bem nem mal
Nem melhor nem pior
É uma mixórdia em que nos embebemos
Indivíduos que esqueceram qual o seu genuíno lugar
Nesta ausência de sentido ritual das amarguras
No galopar da indiferença das criaturas

Ahh!  Esta sobrevivência macabra
Que parece um suplício e não mais acaba
Que me faz agitar exausta desta oscilação
E me faz desejar ir para um lugar manso
Um pôr-do-sol ameno sem me preocupar com precisões
Com maldades chacotas e derrotas
Tropeções esconderijos e multidões de insanidades profundas
Eu e a espuma das ondas somente e esquecer de vez

Este viver abalroado de existências imundas

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