Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

terça-feira, 3 de junho de 2014

Casinha branca





Existe uma casinha térrea para onde o meu ser se dirige
Há no branco das paredes uma mensagem
Que ela envia ao sol e ao vento
Diz ela que se ergue em perfeito abrigo
E que se guarda para mim em cores de infinito

Sabe que gosto da pureza das gentes que a envolvem
E em lugar secreto protege as sementes das flores
Que um dia plantarei num pequeno jardim
Nas traseiras da sua simplicidade cheirando a alecrim

Há uma pequena lareira acesa
Para que permaneça sempre uma luz subtil
Nas noites mais longas de Inverno
E uma cadeira de vime onde desfolho serena
E concentrada as páginas de um livro
Envolta num cobertor de quentura amena

Na entrada acomodam-se vasos
Canteiros de rosas brancas onde cintila a paz
E variantes de vermelho cor da luta da paixão
Do inconformismo na escolha da solidão
Porque a minha viagem ainda se faz
Ao som da melodia do amor
Por entre ondulações de malmequeres
Sem grandes desejos ansiedades e quereres


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