Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Chegar ao topo



Guerreiam os homens para chegarem ao topo
Em ganância desenfreada procurando o eterno
Enganam-se as feras desbravando a fama
Em ignorância não sabem que neste mundo
Tudo se esfuma e indelevelmente se transforma

Para ultrapassar o transitório
Erguem barreiras sobem montanhas
Compram os votos em falsa glória
São cegos surdos e mudos
Pois não captam a linguagem
Do ser genuíno que em tudo aflora

O sentir de inferioridade que lhes amarga a alma
Conduz a criatura desventurada ao floreado prestígio
Entre máscaras sorridentes gestos incongruentes
Esconde-se o ser macabro sem intuição e sem juízo

Alcançar o cume é entretenimento pura falácia
Quem chega ao degrau mais alto
Ou regressa ameno ou enlouquece
Agarrado à personagem imagem da chalaça
Qual ditador que não quer largar o trono
Mesmo que o mundo se aniquile pouco lhe importa
E na sua imbecilidade transforma
O belo e o bom em feio e medonho!


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