Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Dança oceânica



Transponho o oceano num salto instantâneo
Em voo aquático sobre o abismo invisível
Visito outros reinos  um ser desconhecido
E partilho a respiração do insondável

Começo a viagem em vertigem imparável ao cosmos
Num chão que piso em forma de enlevo qual osmose
Onde sinto a fantasia de alcançar o inalcançável
Perpetuando a fragilidade da metamorfose

É o transe que se ergue para o mundo espiritual
A consciência do estado incolor de inevitável transição
Um remar em direção à inconstância
Um sair do ovo rumo à evasão

Um reencontro que ouve a mesma melodia
Desfrutando nas infinitas possibilidades o momento
Sentindo o borbulhar da vida
Desfrutando de um compassado movimento

Segurando a mesma corda
O sonho se materializa
Para num outro tempo sem vento
Se transformar em aconchegante brisa


2 comentários:

  1. Tocou-me profundamente, as palavras falam...ouvi, os meus parabéns, beijinhos, Paula Oz

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    1. Obrigada Paula Lourenço. Um duplo agradecimento pela divulgação do meu blogue no seu. Um abraço. E parabéns também pela sua escrita!

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