Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Escada



Onde me conduz esta escada que tenho diante de mim
Ao mar à montanha ao aglomerado de gente anónima
Ou à pureza cintilante de um jardim

Subir a escadaria ou descê-la?
Ficar parada ou transitar para um estado de escravidão
Onde rebanhos me aguardam me empurram me programam
Com um número de identificação no meu semblante a pairar
Com um rótulo no meu rosto em perfeita acomodação
A uma linha de montagem onde não tenho de pensar

Em pegajosa dolência inércia e sandice
É mais fácil este estado de caminhar descendente
Mas não vou descer até à lama onde todos se perfumam
Com as fumarolas peçonhentas dos pântanos

Há uma orientação um olhar que se ergue
Em direção ao caminho ascendente
Sem olhar para baixo porque a vertigem é enorme
E a verdade espera mesmo em dificuldade
De perceber o caos porque aceitá-lo é também crer na liberdade

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