Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 22 de junho de 2014

Mente e coração



A embriaguez dos sentidos galopa espavorida
Na senda glorificada revestida em desmedida
E a fera espera de garras afiadas
Porque a entrega é faminta

Mas a mente sente a música a poesia em sonho acalentado
E faz os membros dançarem num esvoaçar em transe
Aos quatro ventos enquanto o coração calado
Acalenta os afetos em recetividade de gesto manso

E vem o sopro que agita e orienta as almas
E a minha expande-se em direção
À libertação das amarras dos dias em agonia
Dos sentimentos de culpa e as falhas

Mas estou ainda tão longe do divino em imanência
Que brota como uma condição sem pensamento
Que não alcanço mesmo em puro remanso  
Apenas pura consciência


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