Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 1 de junho de 2014

Onda



Que perceção a nossa tão limitada
Tão estagnada tão convicta tão ansiada
Como tudo é formatado endeusado
Criando o mundo com as cores que interiorizamos
Paramos os objetos no tempo
Enfeitamo-los a gosto e de real os rotulamos

Mas o que vemos é tremido
Espremido pelo intelecto
E ignoramos que a onda que se forma em alto mar
Não é a mesma que invade o areal
Pois este mutável impreciso não se pega
Não se toca porque as mãos
Esvoaçam e perdem-se no vórtice do continuar

Diluo-me!
Estou perto de diluir-me!
A consciência precoce sempre pegou em mim pelos ombros
E sacudiu-me até entontecer com a velocidade abismal
Do ilimitado fenómeno energético entre laivos de assombros

Ergo os braços em direção ao céu deitada sobre a terra
E os membros guardam-se como se tivessem um atilho uma amarra
E num gesto automático formulo um pedido
De libertação do meu ego do meu mundo desta maçada
Para expandir num vácuo de paz decorado a nada

Sem comentários:

Enviar um comentário