Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fluxo



De onde brota esta linfa que alimenta o ser
Que corrente labiríntica é esta que nos conturba
Que nos faz pensar que é permanente
O que não passa de transitoriedade surda

De onde brota esta seiva que parece moeda de troca
Onde os mundos obedecem à permeabilidade
E os fluxos se derramam em manjares
De predileta nutrição e aprazíveis momentos
Que gritam nestes entrelaçamentos de luzes
Para onde navegam nestes cruzamentos?

Mente que me manobras que me confundes com o verdadeiro ser
Me toldas para que não veja a miscigenação
Para que não sinta as dádivas do coração
Para que não admita que tudo é erupção
Que este cosmos é semente é passagem
Onde os elementos se enfeitam se afirmam e se estreitam
Em sólidos e líquidos em trespasses

Qual gasosa fumegante invisível aragem

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