Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 2 de agosto de 2014

Mão decepada



Uma parte de mim é abatida
Por entre a dança frenética do cosmos
Na minha pequenez esbatida
Volteando em redor de sóis
Desisti de procurar guarida

A mão esquerda amputada
Deixou de estar em mim ancorada
Porque tudo é temporal
Neste rodopiar sem bem nem mal

Porque és amor dedicação
Mãe empreendimento oração
Consciência em perdão
Porque no teu silêncio de aprendizagem
Encontrámo-nos aqui terrenas
E empreendemos florida viagem

Aponto então com a mão direita
A caminhada final
Num abraço de união e carinho
Incentivo-te na saída do temporal ninho
E oriento-te  em direção
Ao topo da hierarquização



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