Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 9 de agosto de 2014

Mistério



A avidez desenfreada de conhecimento
Gera subterfúgios de enganos
Exploração humana e jogos insanos
Sem beleza sem fulcral sabedoria sem mistério
E eis que desta forma se cria
Um conturbado e maníaco império

Para onde foi levada a inocência
Onde se escondeu o ritual
Da celebração e encantamento
O coração aberto ao fascínio
Que decisões e enfeites
Conduziram o homem ao martírio?

O que fomos o que somos esquecemos
Mas se recuperarmos inquietos e extasiados
O estado dócil de criança
Talvez dancemos na areia da praia descalços
E vem-nos a sagrada maturidade à lembrança

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