Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 27 de setembro de 2014

Comparação




Eliminem-se as comparações grotescas
Do melhor do mais belo apenas silhuetas
O mais inteligente o mais indigente
O mais famoso o mais doente

Comparar é fraude é falácia
É jogo viciado lançamento de dados marcado
Porque se uns têm a tolerância
Outros contorcem-se na perspicácia

Que competição?
Então não será a felicidade
O desabrochar da semente
O florescer tal como uma planta
Que não quer saber se é impura ou santa
Se permanece em silêncio ou se canta

Espezinhar para subir não será o sagrado condado
De gravata aprumado qual sucesso
Pois é impossível vender
O que nunca foi nem será nosso

Não será a felicidade
O florescer das capacidades?
Chamem-lhe amor boa vontade
Altruísmo pura verdade

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