Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 27 de setembro de 2014

Moinho





Calcorreia o homem o círculo do desejo
Submetendo-se ao engenho em centrifugação total
E esquecido aferrolha as portas do amor
Hasteando em revolta a vela estandarte do mal
E impedido pelo medo de abrir a janela
Permanece ofuscado ao azul celestial

Embarca no espírito fechado e opaco da cabaça baça
Contorce calcorreia salta inunda
Sustem-se em veículo de uma só roda
Levanta a mó acorda só e amarra-se à corda

Moinho redondo símbolo esquecido do pão
Onde o branco da farinha doce e fina se espraia
Entre o ritual de contornar a fome dentro da escuridão
Agoniza e geme deambulando no frio ao vento
Vagueia agora em tempos de crise em bandeiras de rendição
Sem sentir sem valores sem intento

Moinho que beijas as estrelas que és abrigo
Que mesmo no negro da noite renasces em luz
És ninho és conforto és sensatez humana
Qual portal quântico que à origem cósmica conduz  


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