Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 5 de outubro de 2014

Triângulo da simultaneidade (A fera, o ninho e o grito)



Entrelaçam-se os sons os gritos em bordados de linguagem
Mensagens aladas direcionam os cânticos da comunicação
Baralham-se infiltrando-se num desacato no ato
Expele-se a poeira cintilante na incontinência do vulcão

E o ovo espera o quebrar da casca do ser em potência
Os mundos proliferam ansiosos de concretização
O nada esfuma-se e o fumo se faz consciência
A morte plana sobre a vida em pura presença

E a dança acontece em rituais de criatividade
Emprestando ritmo movimento celebração e voz
Expandem-se as células em rios de vida
Há um grito de euforia em gestos de melodia
E a fera combativa carece de bem nutrida

Salta fere rasga em vigília de pulsar
Renasce em ciclos de vontade dentro de incubadora
Reproduz eternizando-se em espasmos de sobrevivência
Ergue-se mágica transformando o bramido em música
Transpõe o cesto do descanso e liberta-se do ninho
Os gemidos de dor envolvem-se num canto
Larga a carapaça rastejante e esvoaça para fora do refúgio
E cobre-se a si mesmo criatura divina com seu manto

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