Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A morte e a vida




A morte perguntou à vida
Se pulava de alegria
Mas a vida respondeu                                           
Que o entusiasmo morreu
E que andava aborrecida

A morte perguntou à vida
Se a luz a perturbava
Se a criação não tolerava
Por que céus desaparecera
Por onde de facto andava

A morte perguntou à vida
Se a preguiça a manipulava
Se a raça humana se desgarrava
Se aos parasitas se igualava

A morte perguntou à vida
Se estava cansada do sol
Se a sua energia se esgotou
Em corpo cansado e  mole

A morte perguntou à vida
Se a sua inspiração morreu
Se ficou inerte muda e parada
No feito que lhe antecedeu
Retrógrada prisioneira das sombras
Ombros caídos membros desfalecidos
Espalhada na longa estrada esfalfada

A vida soltou uma gargalhada
Provável estaria pedrada
Impregnada de cinismo
Perguntou à morte então
O que queres de mim vilão?
Julgas que não sei
Que és o meu espelho o meu rei
És a cabeça da minha cauda
És o abraço da minha mágoa
És as costas do meu corpo
E eu sem ti não sou nada!

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