Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 9 de novembro de 2014

Força pujante





De nada serve esbracejar na corrente abrupta
E endiabrada de uma enxurrada destruindo o abrigo
Sentimos-lhe o poder a frieza a inconsciência
Homicida perante a sensação de impotência e perigo

Estamos cá porque a energia sagrada
Assim o delineou como únicos especiais eternos
Na vibração intemporal da corda celestial
E o sangue como lava nutritiva acontece
E o sangue embrutece se desvanece e o nada
É sepulcro purificado de uma existência lavada

Instintivamente queremos fugir
Para lugar incerto onde possamos serenidade desfrutar
Invade-nos uma vontade de afastamento
Porque a falta de controlo arrasa-nos
Pois somos criaturas codificadas em domínio
Procurando ansiosamente qualquer tipo de aquartelamento 

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