Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Vigilantes






Sorriso que rompe o anel de fogo do medo
Olhar preciso de quem vela o respirar sem interferência
E entre o contemplado e o contemplador nasce a ligação
E assim os vigilantes perpetuam-se em subtil irreverência

Dançam luzes tangíveis em partículas incendiárias
Desfaz-se o caos e borda-se a simetria
Oscilações rodopiantes tentaculares fazem surgir
Do infindo abismo obscuro a alegria

Acolhem as criaturas do submundo
As entidades que procuram habitação
São dadas as mãos entre personagens frias
Entre risos e choros de comédia vai-se a mágoa
E festeja-se com mesa posta de iguarias

Duendes da floresta se manifestam
Fadas dos lagos se abraçam protetoras de afagos
E faíscas encenadas em grinaldas
Esvoaçam aliviadas em busca de outras paragens
Germinando no centro estelar  das doces risadas

Sem comentários:

Enviar um comentário