Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Inocência



Contemplo embevecida o riso da inocência
Os olhos brilhantes de alegria onde baila a fantasia
O entusiasmo da sua expressão de entrega
As mãos pequeninas nas minhas e então
É o milagre da dádiva que entendo em mim
Quando penso que não me enganei na direção

É que nas encruzilhadas sombrias
Tive de decidir a estrada a calcorrear
A tarefa gigante a realizar
Os documentos impressos a assinar
Porque a viagem é diversa
Pode ser dispersa mas o destino é indubitável
E tem rosto de criança que é guerreiro de paz
Pela beleza e bonança
Legado de energia e coragem
Elo sagrados para o permanecer de esperança

É premente o abanar dos corpos
Um relâmpago acontecendo na mente
Dos que cresceram e esqueceram a sua infância
Que deixaram de admitir que este mundo

Subsiste vivo e eterno  pela mudança!

terça-feira, 6 de maio de 2014

É imperioso reconfigurar mentes!




Esta inconstância feita indeterminação
Conduz a humanidade para o mundo obscuro
Nesta incerteza e caótica dimensão
Da inanição onde tudo é permitido
Onde nada se pode afirmar com certeza
Onde não há nem respeito nem delicadeza

Grita a premência de um iluminado
Que arrase de vez com os sistemas contaminados
Do descarado plagiador
Quem disse que estar contra as leis injustas
Se combate com a paz?
Quem disse que a consciência que se rebela
Contra o imposto pelo poder não é aniquilada?

Há uma energia mais pura para além                        
Do que nos faz cegamente obedecer
Há uma força maior que o simples rastejar
Há uma necessidade do alto
Que nos indica que as bestas
Temos de contrariar!

Reconfigurar as mentes é preciso
Sem ameaças chalaças ou juízo final
Porque a dignidade humana
Permanece enxovalhada e rota
E ignorantes  pavoneando os egos sem vergonha troçam
Tornando as nossas sagradas vidas apenas moedas de troca!

Precisam-se heróis
Que na sua singularidade não receiem combater
Em várias frentes em cenários doentes
Pois é imperioso construir
Não denegrir mas edificar
Não destruir mas fazer
Pois estagnar no lodo
Impede-nos de mudar
E escondendo-nos nos escombros
É deixarmo-nos morrer
É não a responsabilidade assumir
É desfazermo-nos em pó
E  recusarmo-nos a progredir!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Peregrinação



Há um aperto no coração que constrange
Que asfixia a mente em choro
Esta tristeza que molda a melodia
Como se as almas unidas se expressassem em coro

Parto em plena noite encadeada pelos faróis desavindos
Misturo-me na fraqueza que mesmo assim
Embrenha-se determinada na bruma
Fujo dos medos alheios e dos meus infindos
Já não vejo o mar embora lhe sinta perto a espuma

Afugento o desconsolo a impotência
Esta consciência do limite que me amarra
Grito bem alto entre lágrimas de revolta
E o meu pé faz pressão no acelerador em rédea solta

Estou de abalada para um reino só meu
Onde os espíritos me abraçam me aconchegam
E me acalmam num mundo que também é céu

Meto-me à estrada deserta de carros
Onde o silêncio acontece em forma de oração
Retorno a mim em calmaria
Embora saiba que sou filha do eterno
Mesmo prisioneira desta material condição