Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

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A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Não te escondas no armário



Que fazes?
Deixas que a criatura mesquinha e doentia
Te invada o espaço
Te manipule o pensamento
Te obrigue a correr para dentro do armário escuro
Sufocando anulando a própria respiração
Mantendo um mutismo de gelo
Capaz de criar crateras de loucura

Que fazes?
Corres a esconder-te trancando a porta
Esperando que a imagem da inconsciência
Da ignorância desmedida da cólera doentia
Da paranóia egocêntrica dum corrompido
Se esfume assim como um estalar de dedos
Que a insolência dum asno adulterado
Faça de ti manta de retalhos

Que fazes?
Silencias a tua justiça baixando a cabeça
Colocas os braços atrás das costas para seres
Crucificado ao lobo faminto de sangue
Cego e raivoso sem uma ténue noção
De dádiva de amor sem coração

Sai do armário!
Enfrenta a fera que te manipula
Que cria jogos de diversão com despeito
Como se somente a tua presença
O provocasse e ele erguesse uma lança afiada
Como garras de monstro saindo das profundezas

Sai do armário!
Enfrenta o reptil porque ele confunde a tua luz por cobardia
O teu silêncio por autocensura de culpa
Dá-lhe regozijo empurrar-te para o abismo
Ver-te sofrer em isolamento

Equívoco do conspurcado!
O corrupto esquece que não está no reino das bestas
Que entrou em território sagrado
E o abastardado tentacular e pervertido
Acaba por asfixiar no estrume dele próprio degenerado!