Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Dança oceânica



Transponho o oceano num salto instantâneo
Em voo aquático sobre o abismo invisível
Visito outros reinos  um ser desconhecido
E partilho a respiração do insondável

Começo a viagem em vertigem imparável ao cosmos
Num chão que piso em forma de enlevo qual osmose
Onde sinto a fantasia de alcançar o inalcançável
Perpetuando a fragilidade da metamorfose

É o transe que se ergue para o mundo espiritual
A consciência do estado incolor de inevitável transição
Um remar em direção à inconstância
Um sair do ovo rumo à evasão

Um reencontro que ouve a mesma melodia
Desfrutando nas infinitas possibilidades o momento
Sentindo o borbulhar da vida
Desfrutando de um compassado movimento

Segurando a mesma corda
O sonho se materializa
Para num outro tempo sem vento
Se transformar em aconchegante brisa


domingo, 22 de junho de 2014

Mente e coração



A embriaguez dos sentidos galopa espavorida
Na senda glorificada revestida em desmedida
E a fera espera de garras afiadas
Porque a entrega é faminta

Mas a mente sente a música a poesia em sonho acalentado
E faz os membros dançarem num esvoaçar em transe
Aos quatro ventos enquanto o coração calado
Acalenta os afetos em recetividade de gesto manso

E vem o sopro que agita e orienta as almas
E a minha expande-se em direção
À libertação das amarras dos dias em agonia
Dos sentimentos de culpa e as falhas

Mas estou ainda tão longe do divino em imanência
Que brota como uma condição sem pensamento
Que não alcanço mesmo em puro remanso  
Apenas pura consciência


Crescimento



A transformação envolve-me os passos
De noite de dia em qualquer ocasião
Pois não vejo como aceitar o retrógrado
Sem que das entranhas me saia um vómito
Porque aquele que não assimila a dignidade
Acontece como ser debilmente sórdido

Dizem que me perdi que as regras excedi
Que furei todas as tradições
Sem normas sem freio sem programação
Mas será para isso que me mantenho por aqui
Pois apenas sou fruto da minha criação

Dizem que errei que outras tantas vezes vacilei
Mas voltar atrás não quero
É no presente que me esmero
Numa descoberta em exploração expando liberdade
Pois vou sendo inventor da minha consciência
Porque me assumo e silencio a contrariedade