Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Demência de quereres




Criaturas da abundância do desfalque
Onde o lado matreiro gera a ganância
Avidez pela má programação destrambelhada
E a aprendizagem em sensatez sempre adiada

Povoamentos de agonia em dilaceração
Marionetas da ambição de rótulos na mão
Pedindo manipulando teatralizando
Pelo querer mais isto mais aquilo
Sem um agitar ténue sequer de responsabilização

Geometrias cársicas de gritantes separações
Rosto humano no cosmos a pedir auxílio
Perdendo-se o pão o nutrimento o trilho
Mundo este que mata maltrata em cegueira de ilusões
E da criança órfã esvai-se o louvado brilho

O poder substitui temporário o medo da morte
Poucos se engrandecem no dourado poleiro
Luxos grotescos alimentam mentes medíocres
E muitos nem para comer têm dinheiro

Tempo passado onde se impregna a gente doente
Não entendem que criam o seu próprio inferno
Prolificações fantasmagóricas esvoaçam pelo tempo futuro
Esquecendo-se de fazer do seu presente o paraíso eterno