Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 19 de outubro de 2014

Vómito



Este vómito veste-se de andrajos em sofrimento
Camuflado de sorrisos sonoros forçados
Porque cada gesto é de agonia desatenção
Sensação de nudez desconcentração

É um saltitar constante entre a vigília e o sono
Orgia emaranhada nesta ratoeira de sonho
Bizarro dissimulado em alojo medonho

O riscar de fósforo que se acende e apaga
As baratas as formigas como uma praga
Esta tonta vertigem  que me consome constante
Num impasse sem poder dar um passo adiante

Revolta entranhada no meu ser
Borbulhas de tensão em suor de inanição
Sem tempo para semear
Sem espaço para viver
Sem ar para respirar
Sem cama para deitar
Sem presentes para distribuir
Sem abraços para dar
Sem alimentos para comer
Sem nada por que lutar
Mas nesta incongruência de existência
Cerro os punhos e grito ao céu
Antes lutar que morrer!