Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 17 de janeiro de 2015

Tropeção




Tropeço sem querer em reminiscências
Agoniam-me os passos pretéritos
Calcorreados em quilómetros de estrados
Entre preces voltadas ao céu ao sol ao mar
Por caminhos escorregadios alagados

Perde-se a análise em crucificações
De perspetiva única desmaiada em razões
Mas já nada me diz
O sofrimento transforma-se em calmaria
Nada me importa pois a dor cortante
Pela visão universal transformou-se em alegria
Criou em mim um respirar ameno sereno
E um sentir que se entranha
Na inconstância metamórfica da vida
E finalmente descanso e deixei
De procurar a falaciosa guarida

A minha alma libertou-se de amarras
Enfrentou a fera desafiou-lhe as garras
E afastou-se do mundo peçonhento
Povoado de criaturas obscuras
O meu corpo enfureceu afirmou-se
E na contenda rejuvenesceu

Há tempos sombrios que requerem atos precisos
Mesmo em palcos trágicos pouco concisos
Sem nomes catalogados sem julgamento
Apenas como se a existência humana
Fosse uma leve e ténue brisa  ameno vento

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