Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Melodia da Paz




Que eu não renuncie a ouvir
Sempre esta melodia da paz
Mesmo que os montes se abatam
As árvores desfaleçam os rios sequem
As trovoadas incendeiem os abrigos
Os governantes se transformem
Em criaturas do mal amordaçando os desprotegidos

Que eu não renuncie a ouvir
Sempre esta melodia da paz
Mesmo que epidemias provoquem o extermínio
Os pais não tenham comida para os filhos
As escolas se tornem habitáculos descontrolados
De iras incontidas em jovens à deriva sem lei nem ética

Que eu não renuncie a ouvir
Sempre esta melodia da Paz
Mesmo que o meu corpo seja um limite a superar
A minha alma uma energia a modificar aperfeiçoar
Mesmo que o meu coração sinta injustiças que se aglomeram

Quem sabe se esta paz em cópula sagrada
Com o amor possa anular todos os desencantos
Todos os turbulentos momentos com valores minados
E descubra e neutralize a raiz da podridão
E que floresçam neste chão que piso
Cores sorridentes de cintilação


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