Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Cegueira



A cegueira acontece como mecanismo
De dimensões limitadas em que a criatura
Se foca apenas no alvo conciso
Que lhe permite a sobrevivência

O individuo recolhe dentro de si
Quaisquer elementos que possam
 Engrandecer o ego que já por si
Sofre de deficiência sensorial

Nestas condições temos na sociedade
 Milhões de seres cujo estado de cegueira
 Lhes causa inaptidão para a ação

Cria-se assim um ser automatizado
Dependente de cliques
De telemóveis de última gama
Como criatura unicamente fascinada
Com tal brinquedo mas que logo manda fora

 Enquanto clica e não clica
A mente estanca naquele programa
E não descobre outro que seja
Mais gratificante para o ser
Supostamente inteligente que é

Há de facto uma cegueira
 Mais patológica do que qualquer estado
Porque não apreendendo o que permanece oculto
É conduzido a um mundo de impossibilidade de linguagem
A um tipo de mutismo e dilui-se a criatividade
Anulando-se a expressividade humana

Que é o Homem sem arte?
Talvez criatura rastejante
Alimentando-se sem capacidade de questionar
Esfaimada de outras criaturas sem se autocriticar

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