Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 14 de fevereiro de 2015

És forte



Acompanho num transe coletivo em ritual sagrado
A vinda de energia cósmica que vibra na entidade
Que desce sobre o presente anunciando-me que sou forte
Capta-me a preocupação pelo ser amado
À deriva num mar revolto
Tentando a salvação a nado

Mas nada quero saber sobre o futuro
Vivo o dia-a-dia desbravando no duro
Porque a vida humana sempre foi paradoxo
Como se entre o permanecer e o morrer
Se erguesse um enorme fosso

Forte fraco corajoso cobarde doce amargo
Que importância tem?
Da teoria à prática corre um rio agitado
E nem todos temos coragem para atravessá-lo
A vontade esconde-se fica camuflada
Tudo depende dos órgãos de perceção que se detém

A luz e a escuridão o nascimento e o colapso
Abraçam-se com a mesma força de um acaso
Porque as variantes são infinitas
Não se consomem nas somente descritas

Não quero saber!
Não faço alarde
Mas se as variantes são múltiplas e caóticas
Tocarmo-nos é milagre
Construo a minha direção
Sem pretender riqueza ou perdão
Mas no silêncio de uma resposta por dar
Na mudez de uma questão por levantar
Uma lágrima desliza pela minha face
E não evito que a tristeza paire no ar


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