Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Águas







Águas que escorrem pela montanha
Criando poços de escuridão
São gritos de aflitos torrenciais
Amontoados que a eles próprios se asfixiarão

Águas movediças de cisão
Que quebram a pedra mais dura
Num uivo denotador que perdura
Ribeiros descontrolados lamacentos
Provocando nos campos lagos infectos

Águas pegajosas violadoras dos seres
Arquitetura furiosa que se espraia
Em formas inconstantes
Cria sulcos corta montes
Com as garras cortantes

Águas maléficas destruidoras
Em velocidades barulhentas e cegas
Alagam povoados e floridos prados
Provocam escombros onde criaturas
Espreitam aflitas por frestas

Mas haverá um tempo em que
As águas resplandecem límpidas
Onde a superfície de espelhos permanece serena
Em que o olhar se perde
Na profundidade da transparência
E as criaturas chapinham alegres
Nas ondulações amenas
E a opacidade líquida nutrição advém
Explodindo pura vida
Metamorfoseando-se em sublime mãe

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