Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Manifestação do ser



O mundo de renovação expande-se
Em espirais estonteantes
De complementaridades ocultas
Como se a chave e a fechadura
Permanecessem um só elemento
E a ligação fosse o sacramento
O provimento do mais faminto

Os limites extinguem-se
No invadir de espaços
Que se entregam a cronos
Minando o fechado
Que deixa cair os muros gigantescos
De egos tresloucados de olhar fétido
Transmutando-se em estado dinâmico de aberto

O acontecer vibra em cordas comunicantes
Anunciando a bebida sagrada do amor que entrelaça
Vence a escuridão e desembaraça
Qual novelo que liga os entes
Onde outrora imperava o desligamento

Cintilações existenciais erguem cenários calorosos
Onde em miscelânea cósmica o mesmo se alegra
Em raios de gratidão fundindo-se com o outro

A hélice pulsante molda as criaturas
Que subsistem entre vontades magnéticas
Tempestades elétricas
Emergindo na contemporaneidade avassaladora
Impermanente do ciclo explosivo do desabrochar

Sem comentários:

Enviar um comentário