Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

sexta-feira, 27 de março de 2015

Fora do ninho



Fora do ninho sou alerta estafeta
Não eleita
Sou espinho silêncio e indiferença
Sou brutalidade
Sou grito
Em combate aflito

Fora do ninho sou destemperança
A chave mestra da aliança
Sou combate
Sou estratégia aguerrida
Sou fera ferida

No exterior do templo sou defesa
Sou espírito guerreiro prevenido
Sou frieza
Sou rasgo de intempérie
Sou crueza

No exterior do ninho
Não sou caçador nem presa
Sou ave de garras afiadas
Que defende o refúgio
E não se detém
Sou árvore que embalada pelo vento
O próprio nicho sustém!

1 comentário:

  1. Alguém me disse, um dia, que a poesia não é para ser comentada, mas, sim, sentida, amada e sofrida. Eu também concordo. E há alturas em que não sei dizer nada. Não sou grande crítica de coisa nenhuma. E não tenho nada na manga para deixar aqui, escancarado. Só o meu arrepiar e a minha admiração por esta forma de estar na vida, traduzida em versos maravilhosos.

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