Um poema acontece no meio de uma tempestade medonha perante o horror mesmo dissimulado da existência humana.
É um processo de libertação de amarras, esquecer o que nos incutiram na mente programando-nos, e avançar sozinho, porque a solidão é parte integrante do poeta. O poema rodopia em redor do ilimitado, do informe, sem norma, do inconstante, do movediço, em ligação com outros espaços moventes. Sobe até onde os pássaros voam, instala-se até onde os deuses guerreiam, afunda-se na espeleologia até onde os vermes se escondem.
O poeta flutua na sua voz, dá o grito da revolta e liberta-se dos grilhões da sociedade inventados nos chifres dos adoradores de esmeraldas!

luz

luz
A luz que ilumina a alma deve conduzir os passos...

domingo, 12 de abril de 2015

Rasto



Deixei para trás um rasto
De cinematografia caseira
Onde pais cantavam e dançavam
Onde avós em alegria derradeira tocavam

Deixei para trás documentos
Desta vida de transição podre sevícia
Amarelecidos desbotado sem ambição
E esperei pacientemente que se tornassem
Bandeiras da justiça

Mas os anos passaram
A minha alma arrasaram
E aprendi a fazer da mágoa
Apenas um teatro trágico
Onde só ergo o palco quando quero
Afugentando em estratégia de rebelião
A máscara do martirizante mágico

Estouvada que fui ao ter fé no humano
Só depois aprendi
Que há criaturas das trevas
Que se alimentam da luz dos vivos
Então propositadamente
Coloquei no baú das lembranças
As fotos em papel envelhecido pelo tempo
E definitivamente atirei para o lixo os negativos


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